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Raúl Ruiz

Raúl Ruiz

Em 1983, Serge Toubiana escrevia no Le cas Ruiz, o seu texto de apresentação dos Cahiers du Cinéma N°345, especial Raúl Ruiz: o cineasta mais prolífico da nossa época, aquele cuja filmografia é «quase» impossível de definir tal é a sua diversidade, esplendor e multiplicidade de formas de produção há mais de vinte anos (…).

Emergindo com destaque a nível internacional no final dos anos 70, Raul Ruiz revelou‐se um dos mais empolgantes e inovadores cineastas dos últimos anos, proporcionando mais diversão intelectual e experimentação artística do que qualquer outro cineasta, desde Jean‐Luc Godard.

Desbravando o seu caminho através das suas características imagens e sons afiados, Ruiz, é um guerrilheiro que, descomprometidamente, assalta os pré‐conceitos da arte cinematográfica. Esta quase assustadora prolífica figura ‐ fez mais de 100 filmes em 30 anos ‐ não aderiu ao estilo de filmar de ninguém. Tem trabalhado em 35mm, 16mm e vídeo, para estreias em cinema e para as televisões Europeias, e no documentário e obras de ficção.

A carreira de Ruiz começou no teatro da vanguarda, onde, de 1956 a 1962, escreveu mais de 100 peças. Em 68 acaba o seu primeiro filme – “Três Tristes Tigres” – que lhe valeu de imediato o Leopardo de Ouro em Locarno.

Ao apoiar o Governo de Salvador Allende, Ruiz foi forçado a abandonar o seu país durante o golpe fascista de 1973. Vivendo, em exílio, em Paris desde essa época, Ruiz passou, desde logo, a ser considerado o enfant terrible da vanguarda parisiense e, em 1983, a mítica revista «Cahiers du Cinema» dedica‐lhe um número especial, exclusivo, honra recebida por poucos cineastas na história do Cinema Mundial, elegendo o seu filme “L’hypothese du Tableau Volé” como um dos dez melhores do mundo, realizados na década de 70 e elegendo‐o a ele como o cineasta “francês” mais importante desde Rohmer, Bresson e Godard.

Ao trabalhar com directores de fotografia inovadores como Diego Bonancia, Sacha Vierny, Henri Alekan e Ricardo Aranovitch, trouxe, novamente, a magia da poesia realista francesa, ao explorar o mundo da manipulação, da impotência e da violência. A forma como utiliza a luz, jogando com filtros e espelhos, recria a realidade fílmica, numa espécie de caleidoscópio, que nos introduz no labirinto das suas representações e que nos familiariza com o seu exoterismo fantástico.

Raúl Ruíz é considerado um híbrido único na história do cinema, reconhecido como um dos principais cineastas em actividade, um defensor do cinema de ideias, em que ele é o protótipo do artesão que cria imagens em movimento. Para Ruiz o Cinema é uma invenção, uma alquimia em que o realizador reúne todos os elementos com que se depara e os constrói através dos planos que cria, das imagens que regista no momento, dos conceitos que reinventa. A estética de um projecto é inerente à própria obra, é conseguida através da realização.

E a admiração pela obra deste Mestre do Cinema prende‐se também com a genialidade com que aceita e concretiza, com reconhecido mérito, desafios cinematográficos que pareciam impossíveis para muitos. Um dos exemplos mais significativos na carreira de Ruiz acontece em 1999, quando decide adaptar ao Cinema, no seu filme, quase de culto, “Le Temps Retrouvé”, a obra de Proust, uma das mais prestigiadas obras literárias mundiais, que já Joseph Losey e Visconti tinham tentado adaptar, mas sem sucesso. Ruiz rodeou‐se de actores como Catherine Deneuve, John Malkovich, Emmanuelle Béart, Chiara Mastroianni, e do produtor Paulo Branco, e fez uma das obras mais conhecidas do cinema mundial, tendo sido vendido para 22 países e passado, em prime‐time nas maiores televisões internacionais e tendo feito em sala mais de 670.000 espectadores.

Mas Ruiz sempre manifestou a sua intimidade com alguns dos maiores escritores/pensadores de sempre, levando, ao longo da sua carreira, aos ecrãs de cinema, e para além de PROUST, adaptações de Jean GIONO com “Les Ames Fortes”; P. Calderon DE LA BARCA com “La Vie est un Songe; Robert Louis STEVENSON com “l’Îlle au Trésor”; RACINE com “Berenice”; Pieree KLOSSOWSKI com “La Vocation Suspendue” e “L’Hypothese du Tableau Volé”e ainda KAFKA com “La Colónia Penal” – todos referências absolutas na história do Cinema. Ruiz é, assim, reconhecido e aclamado no mundo inteiro, tendo marcado presença, nos últimos 30 anos, nos maiores festivais de cinema do mundo ‐ nomeado 4 vezes para a PALMA DE OURO (Cannes), onde foi também júri em 2002, tendo arrecadado o LEOPARDO DE OURO (Locarno), o URSO DE PRATA (Berlim), o CÉSAR, sendo candidato ao LEÃO DE OURO (Veneza), ganhando 2 vezes o PRÉMIO FIPRESCI em Montréal, sendo homenageado em ROTERDÃO (2004) ‐ “Raul Ruiz: An Eternal Wanderer” e no Festival de ROMA (2007), com a exibição de 46 dos seus filmes.

Ao longo da sua impressionante carreira, Ruíz criou uma grande cumplicidade com o produtor Paulo Branco, que teve início logo a partir dos anos 80, trabalhando com ele, primeiro em Portugal e depois também em França. Foram oito, as longas‐metragens de Raúl Ruíz filmadas em Portugal, e catorze, os filmes produzidos ou co‐produzidos por Paulo Branco. Desses filmes, três passaram pela competição na Selecção Oficial do Festival de Cannes. Todos os filmes de Raoul Ruíz produzidos por Paulo Branco estrearam em Portugal e em França, e a grande maioria em muitos outros territórios também (nomeadamente os mais recentes).

É extremamente difícil de estabelecer a filmografia completa de Raúl Ruíz, tendo em conta todos os formatos e suportes que experimentou, e é, sobretudo, impossível fazer uma listagem exaustiva da presença dos seus filmes nos festivais do mundo inteiro.

Raúl Ruiz encontra-se neste momento a preparar uma adaptação teatral de Hamlet para um festival de Teatro no Chile, Teatro a Mil, para Janeiro de 2011. Em Abril tem planeado o início de rodagem de um novo filme produzido por Paulo Branco. A vida deste cineasta é como o seu cinema: imparável.

Filmografia:

Mistérios de Lisboa (2010)

Mademoiselle Christine (2008)

Litoral, Cuentos del Mar (2008)

La Recta Provincia (2007)

Chacun son Cinéma ou Ce Petit Coup Aucœur Quand la Lumière s'Éteint et que le Film Commence (2007)

Le Don (2007)

Nucingen Haus (2007)

Klimt (2006)

Le Domaine Perdu (2005)

Días de Campo (2004)

Responso: Homage to Huub Baals (2004)

Le Vertige de la Page Blanche (2003)

Une Place Parmi les Vivants (2003)

Ce jour-là (2003)

Médée (2003)

Cofralandes, Rapsodia Chilena (2002)

Miotte vu par Ruiz (2001)

Comédie de l'Innocence (2000)

Le Temps Retrouvé (1999)

Shattered Image (1998)

Généalogies d'un Crime (1997)

La Comédie des Ombres (1996)

Le film à Venir (1996)

Feng Shui (1996)

Turis Eburnia (1996)

The Suicide Club (1996)

Trois Vies et une Seule Mort (1996)

La Notte Oscura dell´Inquisitore (1994)

Promenade (1994)

Il Viaggio Clandestino - Vite di Santi e di Peccatori (1994)

Capitolo 66 (1993)

Miroir de Tunisie (1993)

Dark At Noon (L´Oeil qui ment) (1992)

Festival de Cannes (1992)

Les Soledades (1992)

Visione e Meraviglia della Religione Cristiana (1992)

Basta la Palabra (1991)

L´Exode (1991)

La Telenovella Errante (1990)

The Golden Boat (1990) 

Le Livre de Christophe Colombe (1990)

La Novela Errante (1990)

Palla y Talla (1989)

L´Autel de l´Amitié (1989)

Humanistas/Cuisine du Chili (1989)

Derrière le Mur (1989)

Huub (1989)

Il Pozzo dei Pazzi (1989)

"A TV Dante" (1989)

Allegoria (1988)

Tous les Nuages Sont des Horloges (1988)

La Chouette Aveugle (1987)

Vie est un Songe (1987)

Le Professeur Taranne (1987)

Mammame (1986)

Dans un Miroir (1986)

Mémoire des Apparences (1986)

Richard III (1986)

L´Éveillé du Pont de l'Alma (1985)

Les Destins de Manoel (1985)

La Présence Réelle,  (1985)

L´ile au Trésor (1985)

Point de Fuite (1984)

Régime Sans Pain (1984)

Voyage Autour d'une Main (1984)

La Ville des Pirates (1983)

Le Retour d´un Amateur de Bibliothèque (1983)

La Présence Réelle (1983)

Lettre dún Cinéaste (1983)

Bérénice (1983)

La Ville de Paris (1983)

Les Trois Couronnes du Matelot (1982)

Classification des Plantes (1982)

Les Ombres Chinoises (1982)

Le Petit Théâtre (1982)

Querelle de Jardins (1982)

Le Toit de la Baleine (1981)

Images de Sable (1981)

Le Territoire (1981)

Le Borgne (1980)

Fahlstrom (1980)

L´Image en Silence (1980)

Pages d´un Catalogue - Dalí (1980)

Teletests (1980)

L´or Gris (1980)

La Ville Nouvelle (1980)

Le Jeu de l´oie: La Cartographie (1980)

Des grands Événements et des Gens Ordinaires: Les Élections (1979)

Rue des Archives (1979)

Images de Débat (1979)

Jeux (1979)

Petit Manuel d'Histoire de France (1979)

L´Hypothèse du Tableau Volé (1978)

La Vocation Suspendue  (1978)

Les Divisions de la Nature (1978)

Colloque de Chiens (1977)

Utopia (1976)

Sotelo (1976)

Diálogos de Exiliados (1975)

La Expropiación (1974)

Abastecimiento (1973)

Palomita Blanca (1973)

Palomita Brava (1973)

El Realismo Socialista (1973)

Los Minuteros (1972)

Poesia Popular Chilena: la Teoría y la Práctica (1972)

Ahora te Vamos a llamar Hermano (1971)

Nadie Dijo Nada (1971)

La Colonia Penal (1970)

¿Qué hacer? (1970)

La Catanaria (1969)

Militarismo y Tortura (1969)

Tres Tristes Tigres (1968)

El Tango del Viudo (1967)

Le Retour (1964)

La Maleta (1960)

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